A Bride For Rip Van Winkle é um filme de 2016 escrito e dirigido pelo diretor japonês Shunji Iwai. Sem muitas reviravoltas ou coisas absurdas, o filme apresenta para o público as desventuras vividas por Nanami por quase três horas, mostrando uma grande evolução no desenvolvimento de personagens em comparação com Tudo Sobre Lily Chou-Chou (2001) feito pelo mesmo diretor.
Assim como no filme citado, A Bride For Rip Van Winkle é basicamente sobre o cotidiano de pessoas que estão no início da era da tecnologia, mostrando de maneira sutil como é viver virtualmente conectado e como isso está afetando as relações humanas atuais. A grande diferença e que demonstra o crescimento da escrita de Shunji Iwai, é a maneira de mostrar sua protagonista, nos dando tempo para conhecê-la e sentir empatia por ela.
Nanami é uma protagonista retraída, com muito a dizer, mas com dificuldade de falar e se expressar, resultando em situações complicadas pelas quais ela é obrigada a passar, mas que graças a sua bondade, força e gentileza são superadas apesar de tudo. É incrível que mesmo sem conseguir dizer, apenas através das suas ações e da maneira de reagir ao que acontece, conseguimos entender e conhecer a Nanami aos pouquinhos enquanto ela mesma parece estar tentando se encontrar no meio de Tokyo.
A câmera na mão foi uma das primeiras coisas que me chamou atenção no longa. Para mim, essa maneira de gravar sempre me causou a sensação de aproximação com a narrativa, deixando ela mais “orgânica”, e para um filme que retrata, acima de tudo, sobre o cotidiano da vida de uma mulher em uma cidade grande, uma câmera na mão é mais do que um recurso que funciona muito bem na hora de nos aproximar da protagonista.
Com relação as luzes, o tom do filme é sutilmente mostrado através delas. Inicialmente com tons brancos, leitosos, em uma temperatura azulada, quase roxa, vemos Nanami em uma vida aparentemente confortável, mas infeliz. Seu trabalho não é como ela esperava, ela não ama seu noivo e não tem voz para gritar contra tudo isso. Conforme a vida de Nanami vai apresentando mudanças constantes, a temperatura de cor começa a ficar mais presente, deixando tanto o azul e quanto o amarelo mais intensos.
Quando Mashiro entra na vida de Nanami, a presença dessas cores é vista com ainda mais força. Esse recurso mostra visualmente os sentimentos da protagonista e a mudança que ocorre dentro dela. Ao final do filme, voltamos ao equilíbrio do branco, porém sem nenhum tom de azul em volta.
A Bride For Rip Van Winkle é um filme longo, sensível e bonito. Não sensível só por tratar de temas delicados, mas por tratar da vida como ela é: com altos, baixos e um leve toque de humor.




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