quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Resenha [220125] - O Ritual (2017), David Bruckner

Meu primeiro contato com o diretor David Bruckner foi através da franquia de terror found footage VHS (2012-2023), uma das melhores franquias que considero atualmente. O Ritual é um filme com uma energia semelhante a dessa franquia, especialmente com o curta que Bruckner dirige e que inova na releitura horrenda sobre uma sereia que devora homens através de uma câmera em primeira pessoa e efeitos visuais incríveis. De qualquer forma, o que se destaca em O Ritual não é tanto a sua forma ou os efeitos especiais, mas sim o sobrenatural que aqui serve de base para as questões psicológicas de personagens clichês de filmes de terror.

Em O Ritual, somos apresentados a cinco amigos planejando uma viagem de férias para o meio do mato - clássico de todo filme de terror. A segunda cena do filme já é muito impactante: vemos um assalto acabar na morte de um dos amigos e outro deles, o Luke, presencia a situação e não consegue reagir. Seis meses depois, os quatro homens decidem ir à viagem que planejaram junto com o amigo assassinado, dando de cara com um Deus antigo e poderoso, rituais de sacrifício animal, humano e pessoas esquisitas realizando cultos à esse Deus.

O que me chamou atenção em O Ritual é a maneira como o trauma é materializado por um monstro que na maior parte do tempo não aparece e, se aparece, esta camuflado entre a floresta densa. De alguma forma, essa maneira de abordar o trauma me lembrou Midsommar (2019) do Ari Aster, mesmo que o monstro aqui tenha uma forma e seus seguidores não sejam tão hospitaleiros. O monstro também ataca de modo diferente: depois que eles decidem passar à noite em uma cabana abandonada (outro típico clichê de terror), cada um dos quatro personagens acaba tendo um pesadelo terrível, mas o de Luke, nosso protagonista, é com o assassinato de seu amigo. Depois de acordar, Luke percebe uma marca em seu peito. É a maneira do monstro demonstrar que ele foi o escolhido, ele é o que sente mais dor entre os quatro amigos e poderá ter o privilégio de se juntar aos seus discípulos.

Apesar de ninguém dizer, todos culpam, em algum nível, Luke pelo assassinato do amigo. A tensão entre os quatro homens cresce de uma forma semelhante a outro filme do Ari Aster, Hereditário (2018), onde a morte de Charlie desencadeia em um abalo na estrutura familiar. Em O Ritual, é a amizade que se deteriora conforme o monstro se aproxima, mexe com a cabeça das personagens e os empala em algumas árvores. O final se rendeu ao clichê do mocinho se salvando e sendo o único sobrevivente, mas se a gente interpreta o monstro como um trauma a ser superado e que afasta de nós todos que amamos, Luke parece ter encontrado sua redenção, o que torna a mensagem bonita.

Sinceramente, ver o Luke colocando fogo na cabana foi bem legal, a cena poderia ter se estendido e acabado ali, deixando aberto a interpretações. O final com Luke andando pela floresta no amanhecer é bonito, mas não tão impactante.

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