terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Resenha [240123] – Bones and All (2022), Luca Guadagnino

 

Na noite passada, sonhei que eu estava sendo presa junto com a Angel de Verdades Secretas (2015) e um casal jovem de canibais. Eu não fazia ideia nenhuma de o que eu fiz para estar lá, mas achei engraçado a conversa do casal no sonho. Agora, também não faço a mínima ideia do que eles falavam, mas encarei como um sinal para assistir esse filme hoje.



Bones and All tem uma premissa bem simples: dois jovens amadurecendo enquanto colocam o pé na estrada e colecionam algumas mortes no caminho.
O que me prendeu e fez as duas horas de filme passarem voando foi a maneira como isso é abordado; através do sentimento de solidão e o desejo de descobrir seu lugar no mundo, a gente vai conhecendo a Maren e o Lee, pessoas completamente diferentes, sem pré-julgamentos estabelecidos. A empatia aqui é construída naturalmente, tipo o que o Fassbinder fez eu sentir com As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (1972).

Eu acho cores quentes infinitamente melhores que cores frias e ver os tons laranjas se sobressaindo me alegrou muito. O lado canibal e consequentemente mais visceral é na medida certa: nem muito explícito, nem muito escondido. Acho que em nenhum momento a gente vê facadas ou mordidas sendo diretamente mostradas na nossa cara, mas a quantidade de sangue é suficiente para que nossa imaginação faça o resto do trabalho. Eu, particularmente, acho que imaginar me perturba bem mais do que ver, então para mim isso tem um lado bem positivo.


A montagem às vezes me incomodava em uns cortes onde o movimento dos personagens não estava tão sincronizado com o próximo plano. Houve dois momentinhos que, para mostrar que estamos vendo através dos olhos da Maren e que ela está procurando por algo ali, temos aqueles rápidos jump cuts nos mostrando para onde ela está olhando. É bem legal, eu gostei bastante disso e espero que o Guadagnino use em outros longas dele.


Eu gostei de Bones and All do inicio ao fim. Confesso que enquanto se aproximava do final, comecei a ficar com medo de terminar ou absurdamente “feliz” ou ser tão triste que me deixaria mal pois eu simpatizei com os protagonistas, mas de qualquer forma fiquei satisfeita com como o filme acaba. Tem uma poesia visceral que eu só vi nas coisas que a Fernanda escreve, mas visualmente é deslumbrante de se ver. Espero muito que o diretor se aventure mais vezes em filmes mais puxados para o terror (e sim, eu estou ignorando polêmicas ao escrever isso).


domingo, 22 de janeiro de 2023

Resenha [220123] – A Bride For Rip Van Winkle (2016), Shunji Iwai

A Bride For Rip Van Winkle é um filme de 2016 escrito e dirigido pelo diretor japonês Shunji Iwai. Sem muitas reviravoltas ou coisas absurdas, o filme apresenta para o público as desventuras vividas por Nanami por quase três horas, mostrando uma grande evolução no desenvolvimento de personagens em comparação com Tudo Sobre Lily Chou-Chou (2001) feito pelo mesmo diretor.

Assim como no filme citado, A Bride For Rip Van Winkle é basicamente sobre o cotidiano de pessoas que estão no início da era da tecnologia, mostrando de maneira sutil como é viver virtualmente conectado e como isso está afetando as relações humanas atuais. A grande diferença e que demonstra o crescimento da escrita de Shunji Iwai, é a maneira de mostrar sua protagonista, nos dando tempo para conhecê-la e sentir empatia por ela.

Nanami é uma protagonista retraída, com muito a dizer, mas com dificuldade de falar e se expressar, resultando em situações complicadas pelas quais ela é obrigada a passar, mas que graças a sua bondade, força e gentileza são superadas apesar de tudo. É incrível que mesmo sem conseguir dizer, apenas através das suas ações e da maneira de reagir ao que acontece, conseguimos entender e conhecer a Nanami aos pouquinhos enquanto ela mesma parece estar tentando se encontrar no meio de Tokyo.

A câmera na mão foi uma das primeiras coisas que me chamou atenção no longa. Para mim, essa maneira de gravar sempre me causou a sensação de aproximação com a narrativa, deixando ela mais “orgânica”, e para um filme que retrata, acima de tudo, sobre o cotidiano da vida de uma mulher em uma cidade grande, uma câmera na mão é mais do que um recurso que funciona muito bem na hora de nos aproximar da protagonista.


Com relação as luzes, o tom do filme é sutilmente mostrado através delas. Inicialmente com tons brancos, leitosos, em uma temperatura azulada, quase roxa, vemos Nanami em uma vida aparentemente confortável, mas infeliz. Seu trabalho não é como ela esperava, ela não ama seu noivo e não tem voz para gritar contra tudo isso. Conforme a vida de Nanami vai apresentando mudanças constantes, a temperatura de cor começa a ficar mais presente, deixando tanto o azul e quanto o amarelo mais intensos.

Quando Mashiro entra na vida de Nanami, a presença dessas cores é vista com ainda mais força. Esse recurso mostra visualmente os sentimentos da protagonista e a mudança que ocorre dentro dela. Ao final do filme, voltamos ao equilíbrio do branco, porém sem nenhum tom de azul em volta.


A Bride For Rip Van Winkle é um filme longo, sensível e bonito. Não sensível só por tratar de temas delicados, mas por tratar da vida como ela é: com altos, baixos e um leve toque de humor.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

A gente nem sabe para onde vai mesmo

Virando na rua que passamos antes,
O vento forte me paralisa no meio-fio.
Sobre os arvoredos que assobiam, tristes,
Há luzes douradas chegando pelo rio.

Acendo um cigarro, depois dos moinhos.
Nós realmente somos assim, tão livres?
Não gosto de sentir que estamos sozinhos.
Com você, o caminho parece mais simples.

Hoje, o Sol se foi, enquanto eu estava prestes
A lembrar de como era antes a sua voz.
Nós somos como os personagens daqueles filmes
Contando os grãos de areia, esperando a morte feroz.




Andamos enquanro o Sol se põe

Hoje, a fumaça que sobe, é diferente.
Você é como as nuvens coloridas,
Atrás daqueles prédios da frente.

Durante a tempestade, nós dois,
Fomos a chuva gelada e os trovões
Anunciando que o Sol vem, depois.

Motor pesado, asfalto quente.
Você é como os raios de Sol
Que beijam minha pele ardente.

As luzes piscam entre as janelas pois,
Fomos a brisa que levou todas as cores.
Nuvens ficam. Sem estrelas pra mim, hoje.




Sem final

Me incomoda adorar
Escrever sobre você.
Tentando me enganar,
Continuo querendo saber,
Sobre todo aquele seu azul
Tranquilo e infinito,
Triste e monótono.
Aquele não-gostar da chuva,
Mas crer que ela pode mudar tudo.


Penso em coisas
Que machucam.
Fujo das palavras
Que me sufocam.
Não gosto de sentir,
O calor estagnado
Da sua energia, aqui.
Me prende no passado,
Não deixa você partir.





Do Arranha-Céu, penso

Eu preciso de um lugar

Para escrever

Sobre o quão cansada estou.

Porque crescer

Não parecia tão difícil

E sonhar era permitido

Sobre tudo aquilo

Que você me mostrou.

 

O futuro pulsava,

O presente trabalhava,

O passado relembrava,

O céu azul que mensurava

A grandeza desse seu amor.

 

No entardecer da moradia

A tristeza se atém

Ao meu lírio-do-vale.

Na noite, a Nebulosa

Se encarrega de me entorpecer.

E no amanhecer da janela

Eu penso em você.




Toque

Foi apenas um toque
Que eu queria há muito tempo,
E não imaginava que chegaria assim, tão lento.

Foi apenas um toque
Para a minha órbita se desestabilizar
Para eu perceber que te amaria,
Até nosso infinito particular.

Foi apenas um toque
Que me fez estremecer
Me deixou sem ar
E te deu poder.

Tudo paralisou com o seu toque:
Sobre sua mão na minha e o meu congelar.
Sobre como contigo eu queria estar.

Será que o meu toque te deixa assim também?




Teus olhos me despiram

Teus olhos me despiram,
Mostrando minha alma por completo à você.

A escada azul me leva até os anjos mais belos.
A cada nuvem que passa por nós, sinto meu tempo se esgotar.
Vejo você refletido em mim, nos meus sonhos, desejos e suspiros.
Vejo você, mas você não me vê mais.

Tive medo da indiferença, medo da rejeição.
Vou me afastando da escada,
E chegando mais perto do chão.
Meus olhos percorrem o lago:
Será que você se tornará uma ilusão?

Estar no céu foi de um esplendor imenso,
Mas estar com você,
Foi assustador.



Hoje é um bom dia

Hoje o sol não queima a minha pele, mas brilha claro e forte.
Hoje o vento se transforma e passa por mim gélido, como a morte.
Hoje os pássaros não cantam, mas observam, cautelosos.
Hoje as árvores dançam e, pacientes, me chamam para dançar.
Hoje, elas sabem como sou tímida e demoro para me soltar.
Hoje seria um bom dia, se eu pudesse participar.





Você

Toda vez que eu penso em você

É quando me sinto triste e vazia.

Não sei porquê ainda faço isso.

É como se eu estivesse tentando sentir

O que você sentiu quando quis partir.


Toda vez que penso em você 

Tento achar o motivo 

Que fez você não querer ficar.

E ainda não consigo entender o por quê 

De eu continuar a pensar.

 



  

Jardim de Hespérides

Vou-me embora pro jardim de Hespérides
Lá as flores nunca morrem
E as paredes nunca mofam.
O ar é limpo
E as fadas balançam entre as árvores
Como se fossem parte das folhas que nunca caem.

Vou-me embora pro jardim de Hespérides
Para renascer como uma gérbera
E pisar na grama em passos firmes.
Sentir o Sol em minha verdadeira completude
E deixar quem eu era para me tornar quem eu sou.

Vou-me embora pro jardim de Hespérides
Lá as garotas correm entre os arbustos mágicos
E os garotos pintam o pôr do Sol com poesia e música.
As manhãs possuem os anseios da juventude
As tardes têm cheiro de café e laranjas
As noites dispõem-se de segredos e fervor
E as corujas observam serenas o momento que ecoa
Da mente de seu criador.

Vou-me embora pro jardim de Hespérides
Porque aqui não é meu lugar
Porque cansei de tanto tentar me encaixar.

Vou-me embora pro jardim de Hespérides
Lá as flores nunca morrem
Os sonhos transbordam
E as paredes nunca mofam
Os lagos refletem
Todo o esplendor dos arvoredos
O ar é limpo
E eu existo.







Você nunca prometeu ficar

Quando te conheci

Seu sorriso abriu meu coração 

E no seu olhar, eu me perdi.


Eu não deveria sentir tanta dor,

Mas mergulhei sem saber nadar

E foi tão bom que eu até esqueci que esse amor,

Você jamais seria capaz de me dar.


Aos pouquinhos, meu coração 

Se fez mais lar seu do que meu.

Me vi habitando uma órbita que não era minha,

Um lugar que não era mais meu.


Enfim, por que isso importaria agora?

Você nunca prometeu ficar.

E eu nunca te disse a imensidão do meu amor.

   



Enquanto eu estiver com o mar

A brisa que bate em meu rosto,
E faz as árvores balançarem,
Hoje parece mais fria do que nunca.

Ilhas surgem diante dos meus olhos.
A Lua reflete seu brilho entre as ondas escuras do mar estrelado.
A areia flutua acima do céu.
E durante isso, eu alcancei o nirvana.

Meu mar,
Tire todo aquele peso de mim,
Me banhe com seu sal,
Leve as impurezas.

Só por hoje, dedique-se à mim.
E, por favor, me faça ser um novo eu.



Cometa

E eu fui cometa indo em sua direção.
Indo até o planeta Júpiter,
Fazendo uma pequena alusão.

Eu sabia que no final iria explodir,
Mas apenas para ficar com você,
Não pensei duas vezes antes de ir.

Não ligo de me tornar uma memória morta.
Porque eu sei que pelo menos por um minuto,
Estive na sua órbita.



(>^_^)> Destaque <(^o^<)

Um sonho

Acordei de um sonho hoje, querendo achar o Sol sob o rio. Deixei a água me encontrar e no seu toque, um choque frio. A luz dourada que ilumi...